Thursday, 23 June 2011

Mother do Dia by Rita - Relato de uma mãe prematura

A Rita é mãe da prematurinha Bella e mora com o marido e filha no Canadá, ela escreve o blog Botõezinhos e também é proprietária e criadora da Bella Balloon.  Hoje ela nos conta um pouca da sua jornada de mãe prematura. Segurem as lágrimas meninas, mas o história tem final feliz !!!!

Relato de uma mãe prematura by Rita


Quando a Carol me convidou para escrever um relato sobre a nossa história fiquei muito contente. Acompanho o Mother Love Database há bastante tempo e fazer parte do seu conteúdo me deixa muito feliz.

Quando alguém pergunta sobre a minha história como mãe, não sei bem por onde começar. É uma história de muita luta, de muitas lágrimas e, principalmente, de muitas conquistas e felicidade.

Depois de uma gravidez tranquila e sem grandes complicações, minha filha nasceu 15 semanas prematura. Já ouvi e li muitas histórias de partos prematuros, bebezinhos nascendo de 8 meses, 7 meses os mais novinhos, crianças que só precisam ganhar peso e ir para casa. Nunca tinha ouvido falar até então de um nascimento, com sucesso, de um bebê com apenas 25 semanas de gestação. Vocês conhecem aquele calendário para blogs com um bebê no útero, que marca quantos dias faltam para o bebê nascer? No dia anterior ao nascimento da Bella, o meu calendário marcava 100 dias.

A logística de um parto prematuro extremo como o meu é frenética, correria, gritos dos médicos, mãe tomando injeções a cada hora para tentar evitar o inevitável, pai em choque e ao final, um bebezinho ainda com carinha de feto, que tem que ser ressucitado ao nascer. Não é fácil ler tais relatos e muito menos ter passado por isso. De certa forma acredito que a informação é nossa melhor amiga, e com ela podemos identificar certas sensações e nos preparar caso algo do gênero aconteça.

A nossa tragetória dentro da UTI foi extretamente difícil, foram ao todo 138 dias dentro de uma UTI neonatal, 138 dias em que cruzei as portas do hospital sem o meu bebê nos braços, muitos deles sem saber se teria a chance de um dia levá-lo para casa.

Bella passou por inúmeras dificuldades neste período, incontáveis exames complexos, passeios de ambulância de um hospital para outro, transfusões de sangue, uma cirurgia de mais de 5 horas e muitos outros sustos que colocaram em prova tudo o que acredito. Sempre ouvimos falar que nós mães somos fortes, que fazemos o impossível por um filho, e é a pura verdade. Mas o que fazer quando a vida do seu filho não depende de você? Quando você é obrigada a pedir autorização para vê-lo, para segurar na sua mãozinha e para pegá-lo no colo? Este sentimento de impotência é proporcional ao tamanho da esperança de uma mãe. Por pior que fossem os dias, por mais difíceis que fossem os diagnósticos, o meu coração teimava em acreditar que eu saria daquele hospital um dia com minha filha nos braços. E para garantir tal acontecimento, coloquei um par de sapatinhos vermelhos dentro da minha bolsa e lá ele ficou por 138 dias. Cada vez que olhava aquele parzinho, meu coração se enchia de esperança.

Não posso mentir, esta experiência mexe com você, faz você duvidar de suas crenças e por mais que se tenha esperança, ela pode ser jogada pela janela em uma fração de segundos. Hoje, olhando para trás, me pergunto como pude sobreviver a tantas provações. Como pode uma mãe de primeira viagem, tão inexperiente, morando no exterior sem nenhuma família por perto, conseguir levantar de manhã e encarar 12 horas sozinha dentro de uma UTI?

Não sei. Não existe explicação para o amor e a determinação de uma mãe. Viajava 1 hora e meia todo dia para chegar até o hospital, passava 12 horas ao lado de uma incubadora, ouvindo apitos e sussuros de médicos, tirava leite com uma máquina a cada 3 horas, de dia, de noite, de madrugada, para então repetir tudo no dia seguinte... por 138 dias seguidos.

Quando os médicos, tão felizes quanto nós mesmos, nos informaram que aquele bebê que passou tantos meses em estado crítico estava pronto para ir para casa, mal pudemos acreditar. Atravessar os corredores do hospital foi algo surreal e inacreditável. Você ver a transformação de um bebezinho tão pequeno que mais parece um feto e tirá-lo do hospital, com seus sapatinhos vermelhos, 138 dias depois, me leva às lágrimas até hoje, 2 anos depois.

A causa prematura é muito especial para mim, e embora não deseje esta experiência para o meu pior inimigo, sinto que este assunto precisa ser abordado, para que outras mães não sejam pegas de surpresa como eu. Pergunte ao seu obstetra quais os sintomas de um parto prematuro, pesquise na internet, em livros destinados a gestante, fique atenta ao seu corpo e não exite em ir ao médico a qualquer sintoma diferente do normal.Se eu não tivesse ido para o hospital ao primeiro sinal de algo errado, Bella não estaria aqui conosco.

Hoje tenho em meus braços um pequeno milagre. Com tantas prováveis sequelas, Bella está crescendo normalmente, sem nenhum problema a ser tratado. Ao olhar para esta menina serelepe de quase 2 anos, jamais diria que nasceu de apenas 800 gramas.

Como diz a famosa citação do livro da Cinderela: "Até os milagres precisam de tempo", e no nosso caso, Bella precisou de 138 dias para ir para casa!


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