Wednesday, 29 February 2012

Mother do Dia by Juliana - Descomplicando a Vida


Hoje quem está aqui com a gente é a Juliana, que escreve o blog Contos de uma Mãe Pandora. Ela vai nos contar um pouco da sua trajetória de super mãe de dois irmãos biológicos que nasceram em outra família

Eu tenho o maior respeito e admiração por pais adotivos, como a Juliana e seu marido,  assim como outros casais de amigos meus. Acredito que são pessoas de uma grande coragem, que foram capazes de enfrentar todas as barreiras e se tornarem pais.

Descomplicando a Vida by Juliana
 
Uma das coisas que ultimamente tenho pensado muito é na questão da complicação, da forma como somos tendenciosos a transformar o que é simples em complexo  e como isto nos prejudica, toma tempo... emperra a vida.

Eu por exemplo, tive vários momentos assim e hoje procuro descomplicar tudo. Mas para explicar melhor o que estou tentando escrever, tenho que resumir um pouquinho sobre uma parte da minha história.

Voilà!

Quando descobri que tinha uma doença chamada Endometriose, pirei. Pirei principalmente pois ela chegou com tudo, tomando grande parte dos meus sonhos. E anos a fio de tratamento, ela foi implacável e eu me tornei uma mulher infértil.

Após o casamento, quando o relógio biológico da maternidade apitou, resolvi procurar um grande centro de reprodução humana em São Paulo e ao custo de um carro zero km e muito desgaste emocional, fiz três Fertilizações in Vitro e cheguei a ficar grávida duas vezes, mas estas não vingaram e foram dois abortos retidos.

As palavras aborto, curetagem, ultrassom, eram novas em um vocabulário cheio de esperanças. Doeu.

Sofri muito, muito mesmo. Acho que só quem vive uma situação como esta consegue ter a dimensão deste sentimento. Eu me sentia estranha, com vergonha de mim mesma. Primeiro, por não conseguir engravidar naturalmente e segundo por não conseguir levar adiante as gravidezes que aconteceram. Terapia.

Corri para a terapia antes que outro tipo de doença tomasse conta de mim. Eu já não me reconhecia mais. Sempre fui super alegre, cheia de energia e de repente eu me sentia a pior pessoa do mundo. Mais terapia.

Foi então que eu e meu marido, diante todo o desgaste das tentativas frustradas, resolvemos parar com os tratamentos e nos inscrever no Cadastro Nacional de Adoção.

É, mas infelizmente, ainda existe muito preconceito e tabu no que diz respeito ao assunto. Família e amigos se mostraram preocupados com nossa decisão e sugeriam muitas vezes que havíamos desistido muito cedo do tratamento e que deveríamos perseverar mais...

Nestas idas e vindas da vida, nos mudamos para a Noruega. Lá, devido à uma cirurgia de Endometriose a qual fui submetida no Hospital Universitário de Oslo, me encaminharam para o Setor de reprodução humana e gratuitamente, fiz mais algumas tentativas de Inseminação Artificial. Mas desta vez, nada aconteceu...

Então, um certo dia na Noruega, recebi um telefonema de minha irmã, dizendo que havia tomado conhecimento de que haviam dois irmãos em um abrigo no interior do Brasil e que infelizmente, o mais novo, seria adotado por uma família, deixando seu irmão, pois a família adotante queria apenas uma criança de até dois anos.

Ficamos chocados. Eu nem se quer tinha visto o rostinho deles, mas a história havia me tocado profundamente. Não conseguia imaginar dois irmãos unidos sendo separados por um ato do destino. Sempre imaginava o sentimento do mais velho ao ficar no abrigo e o mais novo ao ser levado sem a presença daquele que sempre o protegeu. Indignação. Amor. Maternidade.

Neste momento, percebi que era mãe deles. Eu não dormia mais, tamanha era a minha preocupação...

E foi assim, mesmo vivendo na Noruega, contratamos um advogado para nos representar e entramos com o pedido da guarda provisória dos irmãos. Infelizmente, fomos vítimas de preconceito por morar fora do Brasil, enfrentamos a morosidade do processo como a maioria das famílias e quase desistimos perante muitos percalços que nos colocaram, mas decidimos nos manter firmes em nossa decisão. Apesar de ter uma noção dos desafios que estavam por vir, queríamos os dois, unidos, formando conosco, uma única família.

E foi assim que descomplicamos grande parte da história.

Hoje, eu sou mãe há quase dois anos, de Gabriel (5a10m) e Lucas (4a6m) e vivemos atualmente na Suíça.

O amor que eu e meu marido sentimos por nossos filhos é de uma intensidade tão grande, que posso afirmar com toda certeza de que amor é o mesmo, as alegrias, as conquistas, os desafios, tudo é intenso.

Sou mãe!! Babo, sou coruja, dou bronca, choro de emoção, de tristeza... Vivo minha maternidade da forma mais transparente possível, sem complicações. Assumo minha história e respeito a deles com muito orgulho.

Pra que complicar, né?

Ah! E além deste assunto, conto um monte de histórias sobre maternidade, vida de mulher e expatriada no blog Contos de uma Mãe Pandora. Passa lá para um chá, uma conversa de quintal...

14 comments:

  1. Carol, obrigada pela oportunidade!! Adoro seu blog!! Beijo grande, Juliana

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  2. o mundo precisa de mais pessoas como essas!!!
    lindo demais!
    Li
    londrescomfilhos.blogspot.com

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  3. Muito legal o post da Juliana! Sempre tive vontade de adotar e continuo pensando nisso! Vou visitar o blog para conhecer as historias!

    Além disso também sou expatriada, então... varias idéias para trocar!

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  4. @Juliana: Obrigada a voce por ter participado

    @Liliane:concordo com vc, em genero e numero

    @Mariana:Q bom q vc gostou e passa la sim.

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  5. Gente que historia. Eu desconheco como funciona a adocao, sempre brinco que quero ter muitos filhos e adotar mais uns que precisem, mas nao tenho ideia de como funciona tudo isso. Vou la no blog dela tbm dar uma espiadinha! Beijos

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  6. Linda história, Carol. Há tantas crianças no Brasil precisando de pais com essa coragem. Muito bacana mesmo, vou compartilhar. E o blog dela também é uma delícia de ler!
    Parabéns às duas.
    Beijos
    Livia
    maeviajante.com

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  7. Eu tb sou mae por adocao! Adocao tardia... Optei por nao passar por esse processo sofrido de tratamento pois acho q nao suportaria e agradeço a Deus por ter tomado a decisao de encurtar meu caminho para maternidade. Tb tenho um blog onde falo sobre maternagem. Falo sobre ser mãe!! A adoçao é muito falada no meu blog pq foi o meio q memtornou mãe. Tento desmistificar q adotar nao é caridade nem corajoso... É apenas mais uma forma de se tornar mae... Algumas fazem parto normal, outras cesarea, algumas engravidam sem querer, outras planejam muito, algumas fazem fertilizacao, outras ovoadoçao... Nenhuma forma de se tornar mãe e melhormou pior q a outra... Todas são deliciosas e dificieis... Todas têm amor imenso... Todas tem medo q o filho nao dê certo na vida... Quem tiver interesse de saber mais sobre minha história eu convido a visitar meu blog. Vou ficar muito feliz em receber a visita e os comentarios de vcs!! www.descobrindoamaternagem.blogspot.com


    Juliana, amei seu texto e sua história de amor!!

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    Replies
    1. Obrigada Renata, já fui te visitar e será ótimo trocarmos muitas figurinhas juntas! Beijo grande, Juliana

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  8. Sempre me emociono com a Ju, hoje não foi diferente,ela vive me fazendo chorar.
    A historia dela é linda!!!
    Carol foi um prazer conhecer seu blog, dei uma fuçadinha básica rsrs.
    Gostei muito!
    Bjo!

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  9. Adorei o texto e mais uma vez fico aqui com os olhos marejados...sou fã da Jú, adoro o blog e sua história de vida!!

    Bj amiga!

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  10. @Milena: com certeza no Blog da Juliana tem maisinformacoes

    @Livia: Obrigada! Concordo muito com vc a respeito das criancas no Brasil

    @Renata:Linda maneira de ver as coisas. Parabens

    @Aline:Fique a vomtade e apareca por aqui mais vezes

    @Ana claudia: Obrigada por passar por aqui.

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  11. Oi Carol
    Vim conhecer seu blog atraves da Ju, esta querida!
    Adorei o post. Parabens pras duas
    Vou voltar mais vezes
    Bjks mil e uma otima semana

    http://blogdaclauo.blogspot.com/

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  12. Nossa linda história, realmente emocionante...adorei!! bjkss JACK ROSA
    http://diriodeumamedeprincesa.blogspot.com JÁ ESTOU TE SEGUINDO MUITO BOMMMMMMMM

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Oi!
Obrigada pelo seu comentario aqui no blog !
x Carol P.

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